sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Vinte e cinco centavos.

Traga-me flores, traga-me rosas
não vejo vida em meu jardim.
Eu vejo prédios, eu vejo mortos
que caminham e passam por mim

Mas não me vêem, há pouco tempo.
A poluição os fizeram cegar!
Ele caminha, e tão depressa
E o caminho ? - ele vai encontrar.

No oceano dela não enxerguei luz,
no azul dos olhos dela eu vi solidão
Para ajudar estendi a minha imunda mão
e recebi de volta vinte e cinco centavos.

Saia daqui, seu vagabundo!
Não vês que estás atrapalhando o mundo ?
Ficar parado ninguém mais pode
o importante é o seguir, parar jamais.

Pra onde vai, com quem vai
nada os interessa agora
Que sigam em paz, a todo vapor
marchando máquina, marchando.

Por aqui estive, aqui ficarei.
A rua é pública e disso eu sei.
Parado eu fico, até tomar minha decisão
A vida também proíbe andar na contra-mão.

No meu pisar faço meu caminho
e devagar vou para não esquecer
Quem rápido anda e sem destino
a morte leva por padecer.

Tic tac, tic tac
nada disso lhe satisfaz
vai soldado, sempre armado
com seu sorriso tão fugaz!

domingo, 2 de janeiro de 2011

Anjo Libertinado.

Te ver dormir é como uma lágrima
que consegui a menos sua
Ai quem me dera recolher a poça
que você fez ao pé da lua

Na minha rua não há tristeza
nem saudade e solidão
Na minha rua há tanta beleza
existe água e o sabão

Que limpam, dissolvem, acabam
com cada molécula de imundice do nosso mundo
Aprenda uma vez e faça isso por um segundo
e descobrirá que viver não é tão complicado assim

Ouço tua respiração agora, tão lenta
e calma sonora! Mal parece o menino assustado
que recolhi por padecer de suas lástimas

É quando eu descubro que vale a pena.
Vale a pena cada sorriso, cada suspirar
por mais falsos ou fantasiosos que possam ser

Todos os meus ataques-cardías.
Eu trocaria todos meus amanhãs
pra reviver esse único dia

Até quem sabe lhe tirar a agonia
que lhe sufoca e tanto ampara
Comigo o sol nasce no seu amanhã
contigo sou tudo, seu anjo da guarda.

Meio atrapalhado,de fato
mal sabe a paz que teu sorrir exala.
Fazendo tudo o que o diabo gosta
poupando assim, palavras.

Me embala, me amarra e me droga
quero ter uma overdose de você
Te guardo e preencho o vazio
que por vezes lhe trouxe à minha porta.